Compliance

Compliance: do Mapa de Riscos à Rotina

Como definir responsáveis, orientar decisões e acompanhar a aplicação das políticas.

Almeida e Trindade Advogados

Um mapa é um ponto de partida.

Uma organização pode ter políticas detalhadas e ainda encontrar dificuldade para responder a uma pergunta simples: quem faz o quê quando uma situação de risco aparece? A distância entre a diretriz e a decisão cotidiana é um dos pontos que merece atenção na estruturação de um programa de integridade.

As diretrizes da Controladoria-Geral da União para empresas privadas relacionam programas de integridade ao perfil de riscos da organização e à implementação das medidas. O documento é uma referência para pensar políticas, responsabilidades e acompanhamento de forma articulada.

Traduzir uma prioridade em uma decisão.

Considere, como exemplo de organização do trabalho, a contratação de um fornecedor. Dizer que terceiros devem ser avaliados deixa várias questões práticas em aberto: em qual momento a análise acontece, quem fornece as informações, quem examina os resultados e qual decisão precisa ser registrada?

Uma política se torna mais compreensível quando essas perguntas encontram respostas proporcionais ao contexto. O objetivo da revisão jurídica é examinar como as responsabilidades e os critérios se relacionam com a atividade, sem presumir que uma mesma sequência funcione para toda contratação.

O contrato é uma parte da relação.

Cláusulas de integridade podem organizar obrigações relevantes. Também é necessário compreender como a organização pretende acompanhar a relação e tratar situações que exijam uma decisão. A redação do instrumento e o funcionamento do procedimento precisam conversar entre si.

O mesmo raciocínio vale para a comunicação interna. Uma orientação que depende de expressões pouco claras ou de responsabilidades não definidas pode gerar respostas diferentes para situações semelhantes. Examinar essa dificuldade ajuda a identificar o que precisa ser explicado ou revisto.

Definir como uma dúvida será encaminhada.

O procedimento precisa indicar quem pode esclarecer uma regra, quem decide uma exceção e como essa decisão será registrada. Uma contratação urgente, por exemplo, não elimina a necessidade de compreender o risco: exige critérios para decidir e documentar a providência adotada.

Revisar a partir da experiência.

O acompanhamento permite comparar o procedimento previsto com as questões que realmente aparecem. Mudanças nos fornecedores, na atividade ou na estrutura de decisão podem justificar novos ajustes. Uma revisão útil registra a razão da mudança e seus efeitos sobre as responsabilidades envolvidas.

O programa precisa ser considerado dentro de seu escopo e de suas circunstâncias. A organização jurídica das medidas contribui para a tomada de decisões; não constitui promessa de eliminação de riscos.

Referência para leitura.

Conteúdo informativo. A análise de uma situação concreta depende de seus fatos, documentos e das normas aplicáveis.